T.
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Abril 01, 2009

Esta imagem tem uma razão de ser. Não que eu goste particularmente, porque não gosto, mas ilustra uma determinada situação especificamente particular devido à singularidade que lhe é característica.
Alguém sabe o que significa?
T.
Mas hoje o desafio que aqui mostro é outro. Proposto pela Joana do "pedra-de-gelo", este consiste numa espécie de "corrente" via blogue e faz-se o seguinte: publica-se a 6ª foto do 6º arquivo de imagens, e escreve-se muito ou pouco sobre essa foto. Simples!
Desta forma, aqui vai:
Esta imagem foi tirada no Cabo Espichel, perto de Sesimbra, no dia 15 de Agosto de 2008. A história que ela encerra está relacionada com um círio que alguns habitantes de Palmela realizam todos os anos em devoção à Nossa Senhora do Cabo. Toda esta tradição começou há muitos muitos anos para celebrar a inauguração de uma estrada que então ligava a antiga estação ferroviária de Palmela e que terminava no Cabo Espichel. Na foto podemos ver um edifício já em desuso que é um antigo convento, e ao fundo, apesar de não aprecer, existe também uma igreja e é nessa igreja que está a imagem da Nossa Senhora do Cabo, à qual desde os primeiros círios, a população passou a prestar adoração, sendo esta última a principal razão da realização do círio actualmente. Na altura, todo o percurso era feito em carroças, pois os carros eram escassos, e por lá se pernoitava durante vários dias, todos eles de acesa festa. Importa referir que esta tradição esteve desde sempre ligada às gentes amigas da Sociedade Filarmónica Humanitária, entidade perpetuadora deste ritual. Até hoje a tradição se mantém, embora hoje a festa dure apenas um dia. No entanto, desde há 2 anos para cá, devido ao dinamismo e espírito jovem que caracterizam a actual direcção da referida sociedade, a tradição de dormir no local voltou a ser cumprida. O costume é partir de Palmela na tarde do dia anterior, e ao chegar montam-se as tendas, arruma-se "o estaminé" e depois de tudo minimamente arrumado e organizado o tempo é livre para apreciar a paisagem. O convívio dura pela noite dentro... De manhã, logo bem cedo, começa a grande azáfama. Manda a tradição que este dia começe logo pelo pequeno almoço para o qual a população está já presente, mas não há torradas para ninguém, há peixe frito, escabeche, vinho, e outras tais iguarias. (eu levo leite com chocolate numa mochila...). Após a farta refeição matinal, preparam-se os instrumentos pois a banda fará a sua primeira incursão pelo largo a tocar. A manhã vai passando, e enquanto a banda toca, enquanto as pessoas vão chegando, enquanto falamos com pessoas amigas que só vemos neste dia do ano, enquanto se passeia, enquanto fazemos muitas coisas, prepara-se o mega almoço - normalmente uma refeição leve estilo feijoada. No período da tarde, os mais devotos vão à missa os menos devotos fazem o mesmo que fizeram de manhã. Já ao fim da tarde realiza-se uma procissão em honra da Nossa Senhora, na qual os participantes envergam uma bandeira, e depois de terminada a procissão as bandeiras são leiloadas entre os presentes. Após o leilão, normalmente já na sombra e com algum vento e frio, as pessoas começam a fazer as despedidas e tudo tem que ser arrumado para voltar a casa. Partimos e prometemos voltar daí a um ano.
(não queria escrever tanto, mas quando dei por mim já estava...)
Numa publicação de Agosto de 2008 podem ver mais fotos deste Círio.
Agora, cumprido o desafio, passo-o à Violet Baudelaire e à Bluesred. Já sabem, 6ª foto do 6º arquivo.
T.